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"compromisso com a dignidade humana"












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10 de Março de 2009
Educação
Inclusão é pensar também na violência social

Marina da Silveira Rodrigues Almeida
Consultora em Educação Inclusiva
Psicóloga e Pedagoga
Instituto Inclusão Brasil

Crianças e adolescentes estão em pleno desenvolvimento biológico, psicológico e social, o que significa dizer que são vulneráveis e receptivos aos estímulos internos externos. Carregam em si potenciais construtivos e destrutivos, reparadores, criativos de vida e de morte que podem ser estimulados ou reprimidos pela cultura, através das relações que estabelecem, com as normas, limites e valores éticos que a sociedade estabelece.

Violência, palavra difícil de definir, mas fácil de ser entendida, sentida identificada, principalmente quando se é vitima. A construção de uma nova ética parece ser um dos caminhos para diminuir as diferenças.

Lalande, conceitua violência como um fenômeno:

a) Que se impõe contrariamente à sua natureza;
b) Que se exerce com uma força impetuosa contra aquilo que lhe causa obstáculo;
c) Que resulta de impulsos que escapam à vontade;
d) Que ocorre quando a pessoa se comporta com uma força impetuosa contra aquele que lhe resiste;
e) Quando de emprego ilegítimo, ou pelo menos ilegal, da força.

É preciso identificar suas manifestações e os significados simbólicos das suas manifestações, por exemplo, temos a violência física, bárbara, motivada por conflitos profundos e estruturais de personalidades perturbadas, outras por desespero, desesperança, alta de perspectiva. Difícil de estabelecer aonde se coloca a linha divisória entre o tratamento as questões que se impõe a uma lei para proteger a sociedade e o próprio agressor.

Há ainda as violências libertadoras, construtivas, frutos do desejo de emancipação, de reconhecimento, de auto-afirmação, inerente ao desenvolvimento de qualquer ser humano. São observáveis nas crianças, nos jovens, em condições adequadas de vida, manifestadas pela rebeldia e pequenas transgressões assimiláveis e toleradas pelos pais e sociedade.

Mas, há também violências sorrateiras que destroem a capacidade de análise crítica e de julgamento, que trapaceiam, corrompem, vendem ilusões de prazeres imediatos, que cega e bestializa, destruindo valores. Em nome de que? Do lucro? Não sei responder!

Não sou nostálgica, mas acredito que sem as tradições que cimentam as relações humanas, aonde poderemos nos sentir seguros são os pilares para promoverem sentimentos de confiança e bem estar.

Assistimos todos os dias na mídia a apologia à violência, a desgraça, a massificação do consumo, a crise do desemprego, a falta de perspectivas para o trabalho, para a solidariedade ferindo a todos em sua auto-estima e fermentando mais violência emocional e real.

Hoje temos vários fatores geradores de violência, paradoxos da emancipação, da democracia, da evolução tecnológica, da velocidade astronômica dos meios de comunicação, da ciência. E encontramos os sofrimentos da nossa época, as depressões porque os indivíduos não tem tempo para elaborarem seus lutos, seus sentimentos de tristeza, de perdas.

Temos a avalanche de diagnósticos de crianças e jovens com Transtornos de Hiperatividade e Déficit de Atenção Concentração e mais ainda os Transtornos de Oposição. Incrível tudo isso, considero como outro grande paradoxo num mundo cultural aonde exige de todos uma hiperatividade para aprender tudo, uma impulsividade para consumir, uma atenção generalizada administrar todos os estímulos externos. Mas, logo vem a resposta medicamentosa, normaliza-se os sofrimentos humanos para o bem comum. A explosão de diagnósticos destes transtornos deve-se menos a eficácia dos tratamentos e a confiabilidade dos diagnósticos do que a mudança nos padrões culturais de formação das subjetividades. Em outras palavras, os indivíduos, provados de suportes tradicionais como a moralidade do trabalho e da família, buscam uma nova refiliação na comunidade do corpo e da saúde.

Como disse, Lucien Sfez, o mito da “saúde perfeita” tornou-se uma das poucas utopias em um mundo, cujos horizontes éticos, políticos e espirituais se mostram nublados. Não se trata de negar que existam crianças ou adultos hiperativos, e com distúrbios de atenção, com depressão, assim como não se trata de investir contra a psiquiatria biológica e os progressos da psicofarmacologia. Trata-se de entender quais motivos levam-nos a liberar comportamentos humanos dos imperativos morais, religiosos ou sentimentais, para entregá-los às disfunções dos circuitos neuronais ou das determinações genéticas.

Para entender esse fenômeno não basta vasculhar os cérebros dos pequeninos, mas é preciso mirar a cultura atual e encarar tanto a disposição crescente dos médicos em tratar como doenças os comportamentos desviantes das crianças, quanto a pronta adesão de pais a essa descrição reducionista de seus filhos como uma patologia localizada, atende-se ao desejo imediato, porque precisamos de certezas num mundo atual de incertezas profundas.

Quais as conseqüências que tudo isso acarreta na constituição no imaginário coletivo universalizado pelas redes de comunicação? Suas repercussões na formação de mentalidades e subjetividades nas crianças e jovens? E sua credibilidade frente ao futuro?

Entretanto, vê-se, hoje, uma rede de iniciativas buscando solidariedade, integração e participação através de inúmeros projetos que envolvem responsabilidade social de empresas, instituições privadas, oficiais e não governamentais, grupos de voluntários, etc.

É preciso um esforço extraordinário para aprimorar ou mesmo preservar as qualidades de relações no contexto atual psicossocial e educativas. Foucault, tão bem nos esclarece sobre a importância do contexto de formações do universo simbólico do sujeito e das instituições e as relações com o poder.

Evoluímos muito em tecnologia, mas temos muito a aprimorar se quisermos evoluir neste processo dinâmico que é a qualidade das relações entre pessoas e grupos; cada um com suas motivações, interesses e limitações. Não se pensa no encontro do consenso, mas é preciso buscar espaços capazes de abarcar, em certas doses, as diferenças, com tolerância e sentimento de equidade.

Tem-se esquecido as características do coração humano. Quando falta amor, entenda-se: afeto, comida, trabalho, saúde, sentimento de valorização do individuo, confiança, proximidade, compreensão surge no inconsciente o ódio e intensificam-se os sentimentos de desamparo e o ciclo de violência se repete.

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