A melhor definição de sustentabilidade que conheço é a do Relatório Bruntland, que a define como: "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas". Seu princípio básico é a atitude de enfrentar os desafios do crescimento numa visão de longo prazo.
Praticar sustentabilidade é pensar, planejar, e agir com os pés no presente, mas com os olhos no futuro. A sustentabilidade passa a ser compreendida como uma competência individual e organizacional que será fundamental para que a sociedade vença os desafios que o movimento inevitável da evolução nos apresenta todos os dias. O indivíduo que incorpora essa competência aplica os princípios do desenvolvimento sustentável em sua própria vida, em sua casa; e leva essa experiência para as organizações ou grupos com os quais interage, para a empresa onde trabalha. A empresa consciente desse fundamento incorpora as competências individuais numa estratégia que estará integrada ao seu capital intelectual e ao sucesso de seus negócios.
Há diversos exemplos de empresas que já atuam dentro das premissas da sustentabilidade. Estas empresas planejam seus negócios buscando um equilíbrio entre os pilares: Econômico, Social e Ambiental. E a melhor forma de efetivar esse equilíbrio, é garantindo que o mesmo seja materializado por uma estratégia, com foco em resultados, e adequada às expectativas de todos os seus públicos de interesse (Stakeholders).
De forma simples, eu citaria o compromisso real das empresas em relação aos princípios do Programa Pacto Global e aos Objetivos de Desenvolvimento Milênio, ambas iniciativas propostas pela Organização das Nações Unidas, como ações práticas e efetivas na direção da sustentabilidade.
Incorporar sustentabilidade pela opção por investimentos sociais e/ou ambientais em sintonia com os objetivos dos negócios é mais uma questão de atitude do que financeira. Por esse motivo, acredito que mesmo as empresas pequenas e médias podem e devem atuar de forma sustentável, desde que compreendam seu papel transformador na sociedade.
Responsabilidade social corporativa e cidadania corporativa são conceitos que muitas vezes são compreendidos como sinônimos de Sustentabilidade. Minha interpretação é que a responsabilidade social das empresas é um caminho que pode conduzir à sustentabilidade.
A ética é um valor essencial e fundamental para a sustentabilidade.
Os caminhos do desenvolvimento passam inevitavelmente por um processo de escolha onde a opção pela ética estará totalmente vinculada ao compromisso com elos de conduta adequados às expectativas primárias da sociedade. Outra opção qualquer poderá trazer sucesso temporário, mas que se apresentará frágil e insustentável no decorrer do tempo
Embora entenda que a filantropia seja necessária, trabalho pessoalmente com o conceito de que a sustentabilidade deva estar baseada em ações, atividades, e projetos que, atendendo a demandas da sociedade e do meio ambiente, tragam no final os impactos concretos e positivos ao objetivo primário de qualquer empresa, ou seja, o lucro. Não basta que a sustentabilidade seja desejável. Ela tem que ser essencial para os negócios da empresa; e para que isso ocorra, ela deverá impactar os resultados econômicos. Como consultor desse tema tão desafiante e apaixonante que é a sustentabilidade, não quero ser percebido como um ente benevolente que busca, combativamente, ajudar a sociedade a se preservar. Quero, isso sim, compartilhar minha experiência e dar o apoio e o conhecimento necessário para que as empresas liderem seu processo de desenvolvimento acessando o capital atrativo de novos mercados, satisfazendo às necessidades de seus futuros consumidores, pagando dividendos adequados aos seus acionistas, e também capacitando e cuidando de seus funcionários, apoiando o desenvolvimento das comunidades de seu entorno e preservando o meio ambiente. Seus investimentos ainda devem buscar integração com o setor governamental e com todo o conhecimento existente dentro da sociedade civil organizada (ONG’s).
Por definição, Responsabilidade Social Empresarial “é uma forma de conduzir negócios que torna a empresa parceira e co-responsável com o desenvolvimento da sociedade” (ETHOS).
Se isso é feito de tal modo que a empresa respeite aos interesses das diferentes partes (funcionários, fornecedores, consumidores, comunidades, governo e meio ambiente), e ainda atendam aos interesses ligados à eficiência e eficácia, que normalmente se conectam aos acionistas e proprietários, então a compatibilização já estará feita.
