Inteligência emocional e quociente de Inteligência – QI

Muitas vezes nos perguntamos: por que um estudante, sendo considerado o mais “inteligente” da classe, não tem o mesmo sucesso em seu trabalho ou nas relações com as pessoas? Ou pelo contrário, por que algumas pessoas, e não precisamente as mais destacadas por sua “inteligência”, parecem ter mais facilidade para prosperar na vida profissional e nas relações interpessoais?

Por que algumas pessoas são mais capazes do que outras para enfrentar contratempos, superar obstáculos e ver as dificuldades da vida sob uma perspectiva diferente?

A nossa história e a cultura social sempre valorizou um ideal “a pessoa inteligente”. Na escola, o filho “inteligente” era aquele que dominava a Matemática acima de tudo.

A referencia da inteligência foi balizada mais tarde e identificada como “quociente intelectual” (QI), e ainda é chamamos de “QI”, quando de fato é um quociente, uma divisão e não qualquer coeficiente. E mais especificamente com a obtenção do maior resultado nos “testes de inteligência ou baterias de inteligência”, que avaliam duas áreas distintas: Língua Portuguesa (leitura, interpretação textual, comunicação, vocabulário, memória) e Matemática (cálculos mentais, domínio das quatro operações matemáticas, resoluções de problemas, rapidez de raciocínio, elaboração e abstração).

O “QI”- quociente de inteligência é um valor obtido por meio de testes desenvolvidos para avaliar as capacidades cognitivas de um sujeito. É a expressão do nível de habilidade de um indivíduo num determinado momento em relação ao padrão (ou normas) comum à sua faixa etária, considerando que a inteligência de um indivíduo, em qualquer momento, é o “produto” final de uma complexa sequência de interações entre fatores ambientais e hereditárias.

A partir desta lógica psicométrica clínica e reducionista, separavam-se os alunos em potencialmente inteligentes, os medianos e os inferiores. Os alunos e ou pessoas que tivessem resultados inferiores em seu escore de QI estavam fadados à exclusão educacional, social, laboral e da possibilidade de relacionamentos, visto não estarem aptos a serem pessoas produtivas e competentes. Este grupo de pessoas não tinha mais futuro, a não ser que se esforçassem muito para possuírem habilidades consideradas ditas dentro da média ou “normais”.

Quando se tenta estimar quais crianças prodígio se tornarão adultos geniais, não se pode tomar por base exclusivamente os escores em testes de QI. Estes escores são um dos componentes necessários, mas há outros.

Segundo, o Psicólogo Reuven Feuerestein (1921-2014), afirma que a inteligência pode ser “expandida”. De acordo com sua teoria da modificabilidade cognitiva estrutural, todo o ser humano, mesmo considerado inapto para o aprendizado e em qualquer idade, pode desenvolver inteligência e adquirir a capacidade de aprender. Esta teoria derruba o reducionismo de aprisionarmos as pessoas num escore de QI. Esta teoria considera a plasticidade neuronal humana, que pode ser modificada ampliando a capacidade cognitiva do sujeito.

Por outro lado, as pessoas que eram consideradas acima da média deveriam ser excelentes em tudo, qualquer dificuldade encontrada era considerada como falta de determinação, preguiça, má vontade, etc. Neste caso, o jovem confia unicamente em sua “superioridade intelectual”, pode acreditar que vai conseguir tudo através da inteligência, mas se algo não sair como planejado vem um sentimento de fracasso intenso. Um exemplo deste fato são os casos de alunos considerados brilhantes que não conseguem passar no vestibular de Medicina, estes jovens muitas vezes entram em um quadro depressão ou tentam cometer suicídio. Portanto, notamos em ambos os casos, que é um erro grave considerar que o resultado de um “QI” será o único fator que poderá garantir o sucesso, a adaptação da pessoa, e suas relações sociais com o mundo. Outro exemplo, que encontramos são os profissionais médicos, advogados, considerados pela mídia como competentes, até serem descobertos em sua vida privada, como pedófilos, psicopatas, falsificadores, assediadores sexuais, transgressores da ética profissional, e ou assassinos. Nestes casos, estas pessoas não estavam bem emocionalmente, e sua inteligência acima da média estava a serviço de sua doença mental.

Desde os anos 1920 a 40, alguns pesquisadores começaram a reconhecer a importância das qualidades integradas no que eles chamavam de “inteligência social” como a capacidade de compreender e motivar as pessoas. A inteligência sempre foi considerada conduto, relacionada aos aspectos de conhecimento como a memória e a capacidade de resolver problemas. Eles insistiram, com pouco sucesso, em que os modelos de inteligência existentes não seriam completos se não incluíssem esse tipo de influências; isto é, aqueles fatores não relacionados ao intelecto que compõem o chamado “comportamento inteligente”.

Embora o termo “inteligência emocional” já tenha sido usado em várias teses relacionadas às emoções, parece que não foi até 1990, quando o psicólogo Peter Salovey, a Universidade de Yale e John Mayer, da Universidade de New Hampshire, deram-lhe o grande impulso. Em 1995, o psicólogo de Harvard e editor científico do New York Times David Goleman, foi quem sugeriu que o “QI” era menos importante do que o comportamento inteligente.

As emoções e QI poderiam ser à base da inteligência humana. Como um todo, eles não precisam ser conceitos opostos. Precisamente, o que os pesquisadores tentam fazer as pessoas entenderem são como eles se complementam, como a capacidade de controle de uma pessoa afeta o uso de sua inteligência.

Para entender o grande poder das emoções, é necessário conhecer a evolução do nosso cérebro. A vida emocional desenvolve-se na área do cérebro chamada sistema límbico, e mais especificamente na amígdala, onde se originam prazer e desgosto, medo e raiva. O neocórtex, também conhecido como o cérebro “pensante”, que permitiu que as pessoas aprendessem e se lembrassem, foi adicionado há milhões de anos. Quanto mais conexões existem entre o sistema límbico e o neocórtex, mais respostas emocionais são possíveis. O desejo sexual vem do sistema límbico e o amor do neocórtex. O fato de que o cérebro emocional é muito anterior ao racional e que é uma derivação dele, revela claramente os verdadeiros relacionamentos entre pensamento, sentimento e emoções. O neocórtex aumenta a complexidade da vida emocional, embora não a domine totalmente, porque ela baixa várias vezes no sistema límbico.

Daniel Goleman argumentou que as emoções de uma pessoa desempenham um papel essencial no seu pensamento, na tomada de decisões e, portanto, no futuro. Para Goleman, este novo conceito de inteligência “real” das pessoas, que ele define como um conjunto de habilidades que incluem controle de impulsos, motivação, empatia e capacidade de se relacionar com os outros, é de grande importância. Ele sustenta que a consciência individual (subjetividade) juntamente com o ambiente de cada pessoa, é a chave para ser “realmente” inteligente. O exercício correto desta função mental, que alguns chamam de instinto de sobrevivência, permite que as pessoas exerçam seu autocontrole e maior criatividade.

Para Goleman, esta “consciência” é talvez a capacidade mais relevante porque nos permite exercer o autocontrole. A ideia não é suprimir os sentimentos, mas fazer o que Aristóteles disse em sua Ética Nicomeca, um dos primeiros tratados preservados sobre ética e moral da filosofia ocidental, sem dúvida a mais completa da ética aristotélica:

“Alguém é capaz de ficar com raiva, isso é fácil. Mas ficando com raiva da pessoa certa, no grau certo, no momento certo, com o propósito certo e do jeito certo, não é tão fácil”.

Precisamente com esta frase é como começa o livro de Daniel Goleman:

Com o grau exato de raiva e sua adequação em cada momento”.

O conhecimento racionalizado por si só não é suficiente para uma pessoa funcionar e se adaptar bem na vida. É necessário canalizá-los e aplicá-los no caminho, como Aristóteles propôs em contextualizar os sentimentos, e que esta capacidade depende da “inteligência emocional” de cada pessoa, na maneira de abordar qualquer situação e tomar a decisão certa. Não está relacionado ao QI, são dois conceitos diferentes, portanto não basta ser inteligente, há necessidade de integração emocional com os aspectos racionais.

De acordo com Goleman, a inteligência emocional é a capacidade de reconhecer sentimentos em si mesmo e em outros, e também saber como “gerenciá-los” em nossa vida diária ou profissional.

A inteligência emocional é baseada em cinco princípios ou competências essenciais:

  1. O conhecimento das emoções
  2. A capacidade de controlar
  3. A capacidade de automotivação
  4. Empatia ou o reconhecimento de emoções
  5. Controle dos outros e a habilidade na gestão desses relacionamentos

Daniel Goleman vem nos dizer que pessoas desenvolvidas emocionalmente desfrutam de uma situação mais vantajosa em todos os setores da vida; eles geralmente se sentem mais satisfeitos, são mais eficientes e capazes de dominar os hábitos mentais que determinam a produtividade. As emoções são muito importantes para o exercício da razão ponderada e da ética nas relações. Entre o sentimento e o pensamento, a emoção orienta nossas decisões, exceto quando elas transbordam, porque não entramos em contato com nossa subjetividade. O inverso também é verdadeiro, ter apenas um comportamento racional sem levar em consideração os sentimentos envolvidos.

De certa forma, temos dois tipos de inteligência: a racional e a emocional, e no final, nossa maneira de proceder é determinada por ambas.

Não há dúvida de que a inteligência emocional nos permite conscientizar nossas emoções, compreender os sentimentos dos outros, tolerar as pressões e frustrações que sofremos no trabalho e adotar uma atitude empática e social que nos dará maiores possibilidades de desenvolvimento pessoal.

A inteligência “acadêmica” não é suficiente para alcançar o sucesso profissional. O QI não faz parte do equilíbrio emocional e os melhores profissionais não são necessariamente os “mais inteligentes”. Aqueles que conseguem e permanecem em qualquer ambiente social são aqueles que conhecem suas emoções e sabem como lidar com elas.

Tal como acontece com o QI, cada uma dessas concepções alternativas de inteligência tem sido criticada. E neste caso, as críticas do conceito de “inteligência emocional” argumentam que não mede a capacidade: quem pode dizer quanto de raiva ou tristeza tem uma pessoa (ou qualquer outra emoção de outro tipo) é ou não apropriada para uma situação particular?

Os céticos da “inteligência emocional” também apontam que os estudos científicos não encontraram um elo convincente entre o aumento da autoestima e o melhor desempenho acadêmico. Ao contrário do que acontece com testes que medem o QI, não existe uma referência capaz de determinar o “grau de inteligência emocional”. Em qualquer caso, é claro que qualquer pessoa é o resultado da combinação em diferentes proporções entre o “QI” quociente intelectual e a inteligência emocional.

Aqui no Instituto Inclusão Brasil, em nossas avaliações diagnósticas, tratamentos psicoterápicos, psicopedagógicos e neuropsicológicos consideramos a Inteligência Emocional e Inteligências Múltiplas integrantes da personalidade da pessoa (crianças, adolescentes ou adultos).

Marina S. R. Almeida

Consultora Ed. Inclusiva, Psicóloga Clínica e Escolar

Neuropsicóloga, Psicopedagoga e Pedagoga Especialista

CRP 41029-6

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